Muita gente pergunta: mas para que ir tão longe com tanta gente carente no Brasil? Hoje tenho uma resposta para essa questão. 

O fato de ir para longe não tira a minha responsabilidade de fazer a diferença onde vivo e nem a minha vontade de realizar e continuar participando de iniciativas e ações na comunidade a minha volta. Entendo que o maior desafio em uma missão transcultural é sair da zona de conforto. Entendi a partir de uma vivência anterior que nada do que acredito ser meu é necessário em uma experiência como essa. Roupas especiais, maquiagens, traquejos de relacionamento, posição, dinheiro, poder, meu jeito de estabelecer laços e fazer amigos. A conexão real acontece quando me livro da persona que construí e que muitas vezes está longe de comunicar quem eu realmente sou.

Em uma missão a gente reaprende a “ser gente”, entendendo que a identidade que recebemos do nosso criador quando nascemos é suficiente se mantivermos a nossa essência e nos conectarmos a Ele diariamente.

O mundo está carente de amor, atenção, relacionamentos verdadeiros, pessoas vulneráveis, abertas ao outro e qualquer laço, que se estabeleça nessa matriz, mesmo que por alguns minutos, pode mudar vidas e, por isso, se torna eterno. 

Pode parecer egoísta, mas quem mais se beneficia em uma missão desse tipo somos nós mesmos porque tudo o que vivemos fora passa a mudar o nosso eu. Prioridades, nosso jeito de gastar dinheiro, a gestão do tempo, necessidades, enfim, a vida fica menos egocêntrica e mais focada em cuidar de pessoas e por ser assim, sentimos o eterno mais perto porque é Dele que vem todas essas coisas. Eu ainda não sei o que essa missão vai revelar, mas sei que quando voltar, eu e os meus amigos, não seremos mais os mesmos e posso arriscar a dizer que ansiamos muito por isso.