Eu juro que resisti, mas tenho o privilégio de conviver com muitas pessoas próximas, envolvidas em missões, e o compartilhar de experiências no decorrer do tempo foi mudando a minha forma de pensar e derrubando os medos.

Eu tinha inúmeras razões que faziam sentido para mim e hoje não tenho vergonha de compartilhar, talvez elas sejam parecidas com as suas:

  • Sou muito fresca com limpeza, jamais conseguiria sobreviver, dias consecutivos em um lugar compartilhado com pessoas cujos hábitos são diferentes dos meus.

  • Também não conseguiria usar e compartilhar um banheiro não muito limpo.

  • Não tenho perfil para participar de missões desse tipo, não é a minha praia, meus desafios são outros. Sempre estarei disposta a ajudar essas iniciativas com doações, mas acho muito difícil participar.

  • Sinceramente, acho que não preciso sair do meu mundo para servir, tem muito trabalho por aqui onde vivo.

  • Como empresária não posso ficar tanto tempo sem internet, sem contato com o mundo e com a minha equipe de trabalho.

Não consigo explicar o que mudou dentro de mim, mas faz algum tempo que peço à Deus, todos os dias, para ser resposta a prece de outras pessoas, para abençoar vidas através da minha e para aprender a amar o próximo.

Ouvi o anúncio da Missão Wari, em Rondônia, 12 dias de missão, 38 tripulantes, um barco pequeno, rio Amazonas a dentro, visitando tribos, servindo e compartilhando experiências. No mesmo dia em que ouvi o anúncio decidi que iria. Ao chegar em casa, falei com o meu marido e ele aceitou imediatamente, tomei como um sinal positivo.

Antes de uma missão acontecer existem muitos detalhes a serem organizados. Definição de objetivos, levantamento de doações, transporte, equipe necessária para atender as necessidades do local, agenda, programação e, além disso, tem os preparativos pessoais, passagens, roupas adequadas, vacinas e outras demandas.

Na maior parte das vezes temos poucos meses para nos preparar e o tempo passa voando.

Na fase dos preparativos o grupo vai sendo apresentado e envolvido em funções específicas e se comunica diariamente por WhatsApp. Pouco a pouco, a rotina na cidade, passa a ser permeada de iniciativas relacionadas com os objetivos da missão e a gente vai deixando de lado os nossos interesses e a missão vai ocupando um lugar maior a cada dia.

Não há dúvidas que o processo começa quando decidimos participar, mas se torna real no turbilhão de emoções e aprendizados que vivemos durante e depois da missão.

Participar de um projeto desses é um passo corajoso para fora, na direção do outro, do desconhecido e posso te garantir que é uma grande aventura para dentro de nós mesmos!

Comigo não foi diferente, me emocionei, me estranhei, sorri, descobri coisas novas, me senti vulnerável, me revoltei com Deus, conheci mais sobre ele, entendi melhor quem sou eu, voltei a me encantar e a perceber a beleza do por do sol, da natureza e o sorriso sincero das crianças, resgatei muito da minha essência e joguei fora alguns adereços que eu julgava ser importante.

Existe algo poderoso, mágico, divino e transformador nesta experiência, posso até arriscar que para a maior parte dos participantes é uma reconstrução, um novo estilo de vida, um caminho sem volta e eu já anseio, há algum tempo, pela próxima.

Escrito por Débora Maia – Diretora de Operações