Desde que comecei a trabalhar, aos 16 anos, entendi que o trabalho seria a grande revolução da minha vida.
Nascida em uma família pobre percebi, logo cedo, que nada seria fácil e era necessário mergulhar de cabeça em todas as oportunidades que surgissem no meu caminho.
Quando conquistei o meu primeiro emprego, sempre segui a máxima apresentada por meus pais e líderes; você precisa “vestir a camisa da empresa”.
Eu realmente vestia e não tirava. As empresas onde trabalhei, representaram parte de quem eu era e norteavam meu futuro e o meu valor.
Sempre busquei reconhecimento, tinha sede de conhecimento e coragem para me lançar em projetos além das minhas capacidades. Sendo assim, fui crescendo e alcançando o próximo nível. Cresci profissionalmente, participei de grupos importantes no meu seguimento, mas não me sentia plena, faltava algo.
Em 2006 resolvi empreender e mergulhei com paixão nesse novo caminho. Tinha objetivos claros, muita criatividade e energia para novos projetos e rapidamente consegui alcançar reconhecimento, prestígio e respeito no mercado onde atuo, mas vivia compulsivamente para o trabalho.
Sou cristã desde o meu nascimento e a minha relação com Deus ganhou profundidade nos últimos 7 anos e após muitas conversas com Ele e reflexões senti que era hora de me abrir para o próximo e mudar meu foco.
Comecei a traçar um novo caminho e o meu tempo passou a ser compartilhado, também, com pessoas que precisavam de mim e tenho que confessar que essa foi a parte mais difícil.
Durante esse processo, quanto mais eu me abria para o outro menos sofria com as exigências impostas a mim mesma, fui me desapegando de coisas que não tinha a menor importância mas tomavam meu tempo e ocupavam o meu coração.
Comecei a participar de ações comunitárias, missões em outras culturas e fui entendendo que para estender a mão para o próximo nada do que eu construí era necessário, o imprescindível era ter um coração desapegado e disposto a amar.
Há dois anos compartilho a minha agenda de trabalho com o Instituto Sementes, lá atuo como diretora de operações e estou envolvida em diversas ações voltadas a moradores de rua e pessoas em situações de vulnerabilidade. Tenho aprendido um outro ofício e depois de tanto tempo trabalhando com pessoas parece que somente agora tenho realmente aprendido a cuidar de gente. Aprendi também que quanto mais a gente ama mais o coração se expande e transborda. Nesse processo somos transformados e quem tem contato com esse tipo de amor jamais será o mesmo.
Posso dizer que hoje, visto a camisa que escolhi para mim e que reflete a minha essência. “Essa camisa” me desafia todos os dias a ser alguém melhor, a olhar para fora, acolher o outro, exige tempo, engajamento e nunca me deixa aquietar em um lugar confortável admirando o meu próprio umbigo.
Hoje eu entendo que a vida fica muito mais interessante quando não vivemos só para o nosso trabalho e sonhos!
Me sinto privilegiada por ter a oportunidade de experimentar o impacto dessa “outra camisa” no meu dia a dia. Essa nova perspectiva mudou as minhas prioridades, me trouxe amigos incríveis, uma nova família, energia além da conta, mais amor, alegria, propósito e tudo isso, junto e misturado, tem revolucionado radicalmente a minha vida!
Escrito por Débora Maia – Diretora de Operações